7.2.10

coisa de gente grande, ou quase



'Era uma vez o Ernesto, um menino que gostava muito de (chatear) as meninas e principalmente a Salomé.
Era uma vez a Salomé, a menina que foi contar à mãe tudo o que o Ernesto lhe tinha feito. Tudo: puxado o cabelo, agarrado o capuz, arrancado os óculos, de próposito. Então a mãe disse-lhe que o Ernesto com certeza queria brincar com ela, mas que não sabia como pedir-lhe. A mãe disse-lhe ainda que talvez o Ernesto estivesse apaixonado pela Salomé...

No recreio, a Paula perguntou:
- Apaixonado pela Salomé! O que é isso? Apaixonado?
Mas a Salomé também não sabia o que era isso, a-apai-xo-na-do.
O que o Abel sabia era que se podia cair, cair de paixão por alguém.
A Salomé já tinha caído muitas vezes de bicicleta, mas de paixão, nunca!
- Os apaixonados só existem nos contos!- afirmou o Guilherme.
- Pois é!
- Com príncipes e princesas.
- Com roupas lindas?
- E com espadas?
- Com reis e rainhas?
- E dragões!
- Então os apaixonados não existem? - perguntou a Salomé.
A Justina acha que estamos apaixonados quando nos sentimos tristes ou muito tímidos e sobretudo quando coramos muito.
- Quando ficamos hipnotizados! - exclamou.
A Salomé concluiu que enlouquecemos um pouco quando estamos apaixonados!
A pequena Ana já tinha ouvido falar de paixão, uma espécie de raio que nos atinge.
- Um raio de fogo!
- E queima?
- É como um relâmpago!
- É uma trovoada!
- Mas afinal chove?
Então a Salomé pensou que era melhor ter um guarda-chuva para estar apaixonado!
Mas o Aristides disse que estar apaixonado está no coração.
- Quer dizer que sentimos uma dor no coração?
- Que dá febre?
- E que nos tira as forças?
- Ficamos doentes?
- Como é cansativo estar apaixonado! - suspirou a Salomé.'





[Rebecca Dautremer, in Apaixonados]

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4.2.10

'mas é claro que o sol vai voltar amanhã'




'gosto da transparência,
dos palhaços e da autenticidade
gosto dos que são capazes de viver cada dia
como se fosse o último
gosto dos que riem, dos que choram,
dos que se emocionam com qualquer coisa
gosto de ouvir gente simples a pensar em voz alta.
Gosto de verdade não sabendo muito bem o que isso é.'

[José Artur Matos]

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Sintoniza o pensamento numa frequencia de risos largos e só ouve outras sintonias pra ter certeza da sua graça. Descobria felicidades na boa noticia das chegadas. Alimenta o coração de amor e do que se gosta. Acha graça nos novos sentimentos e se pega rindo sem razão. È mistério. Eu tento, mas não sei se quero desvendar. É feliz sem motivos. É feliz, por natureza


*título Renato Russo
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30.1.10

Na mais bonita dessas vezes




O caminho é este,
tem pedra, tem sol,
tem bandido, mocinho,
tem você amando, tem você sozinho,
é só escolher, ou vai, ou fica. Fui.

[Martha Mederios]

Arrasta um ponto final até virar linha reta. Desdobra uma palavra pra esticar o momento, a vontade é dos agoras. Faz desabrochar algumas estrelas apagadas no peito só pra ter a sensação de iluminância na ponta do nariz e irrigar esse azul escuro de noite com pontos de brilho de pensamentos que clareiam o caminho. Escava com as próprias mãos um buraco pra jogar sementes de um futuro verde e rosa. Esperança e amor. É o que a move, o que gira e faz girar nos dias. Perdeu uma ponta de estrela da sua varinha-guia no meio da guerra. Pegou um vagalume e sentou o bichinho no lugar pra continuar brilhando. Lembra, 'todo sopro que apaga uma chama reacende oque for pra ficar'. Suspira e acredita. Mais uma vez e sempre. De um pulo, pega o azul do céu com a mão direita, faz um tapete na sua frente e vai. Caminhando no meio do azul e soltando dos bolsos uma nova semente. Amarelas que nem ouro. São de coragem
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27.1.10

'É possível construir castelos no ar'







'Há uma doce luz no silêncio'
[Cecília Meireles]

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Se veste de flor  bem no meio da guerra. Tem no rosto marcas de noites em claro. E nas mãos o peso do trabalho. Atenção voltada pro ventre. Criança que ensina sem cobranças, só espera pela paz carregando uma braçada de girassol. Tudo em preces. Cantadas com fé. Muita fé. O pensamento ganha vida quando faz brotar da terra uma paz sem medida. Foi a forma que se encontrou - fazendo matéria-prima bruta florescer de novo. De madeira em flor. Ouve no silêncio uma voz que só o peito acompanha, ritimado. Alimenta-se de sorrisos e duma paz criada pelo coração. Encontra no instante novo um caminho diferente. Uma estrada a percorrer, um sentido a lhe guiar. Olhos limpos de claridade, passos largos e mãos dadas com o sorriso. Carrega o coração fora do peito que é pra não perder tempo em arrancá-lo na hora que te encontrar.


*título de Jean-Dominique Bauby

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25.1.10

eu vou atrás dela




'A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. Chega sem chegar, insinua mais que propõe...
Felicidade é animal arisco. Tem que ser admirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la'




[Padre Fábio de Melo]
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24.1.10

de Drummond para vocês





'ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela'
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17.1.10

do divino







'Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar...
 eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...'

[Pe. Fábio de Melo]
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Dentro, um arco iris tem endereço de morada. Enquanto o desassossego mostra sua cara feia, lá vem o sorrisão do sete cores no peito. Trazendo brisa e colorido no dia. Sete dons divinos fazem pousada no peito. A pomba. O Espírito. Verde em forma de esperança renasce nos olhos em forma de paz. Amadurece. Suspira. O coração agradece. As palavras que segurei pra não soltar.  Soltaram-se. Agradeço. Vejo a estrela-guardiã no céu ainda ensolarado. Ela não descuida dos meus passos e  junto  do arco-sorridente-colorido ascendem meu caminho, das pedras até as nuvens. Voo rasteiro sobre plantações sem rega. Um voo razante numa plantação cinza, passo perto, mas nunca pouso
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15.1.10

das saídas






'Alguém jamais concordará em rastejar
se encontrar um motivo para voar'

[Helen Keller]


E não deixo meus brinquedos, não porque não quero, mas porque não posso. É que eles precisam de alguém que os abrace. E eu também.  Acho que esqueci como se vira gente grande. Preciso sair de mim pra brincar lá fora, mas tem uns dias que só fico atrás da janela espiando nuvens que gostam de  brincar transformando-se em outras coisas. Um convite pra pular a janela. Daí alguém me puxa pelo braço e diz com voz adulta que já cresci. É quando tenho que usar a porta como saída. E vou pra rua pra fazer o que toda gente quando cresce faz. Mas levo agarrados ao peito meus brinquedos de menina. Porque eles precisam de abraço quentinho e porque só eles conseguem me mostrar a porta de saída quando aqui dentro, o negócio ta pegando fogo
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13.1.10

dos alívios






quando tudo se resolve num suspiro e de olhos fechados
é sinal de que o coração está sorrindo
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12.1.10

das esperanças








'Rastro de flor e estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.'

[Cecília Meireles]
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Encontrei -me ouvindo com 'a senhora do jardim do céu' - que se não tivesse certeza que era Bethânia que cantava, ia falar que era algum querubim de voz grossa. Ouvi dizerem por ae no final do dia: - Palavras bonitas em boca de mulher é perigo! Nas pontas dos dedos, nunca se sabe - pensei... E nunca se sabe também o tamanho do pensamento quando a cabeça anda no pescoço, vai dar uma volta na lua e volta... Vai e volta, e volta de outro tamanho em outro dia. E dia é sempre véspera de alguma outra coisa pra quem tem como defesa natural o espírito no peito e nos pés, asas como meio de transporte. Coisa de quem acredita que Esperança é nome de moça costumeira que vem sorrindo e cantando e que nunca, nunquinha fica velha da cabeça
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10.1.10

é lá que eu vou ficar






' E construo castelos
Às vezes que eu amo tanto
Que tiro férias'

[Cazuza- Meanda]
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No meu mundo existe amor .  Aqui mora um Deus que não se importa com a religião, nem com o tamanho da oração. Im porta apenas que se importe com a fé e com a certeza de que Ele está lá.  Nesse mundo existe a amizade e o direito de ouvir sem precisar resposta. Porque a resposta às vezes é uma contagem até dez, silenciosa. Porque existe pontos de vistas diferentes e no meu mundo isso é respeitado. E falar de amor é tão comum que quase dá pra tocá-lo. E por isso, chega uma hora que  a gente consegue misturar tudo. O falar, o ouvir e o sentir. Aqui a gente se mistura, dentro do coração. Espera por milagres que só se realizam depois de um dia todinho de trabalho suado. E eles acontecem, sempre acontecem depois que a primeira estrela vem.  Trazendo noites de certezas e tudo acontecendo do jeito que a gente quiser. Aí a gente acorda e vive, mais uma vez e vive e faz de conta e acredita que pode e acredita. E realiza sonhando outra e outra vez
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8.1.10

é





é uma brasa, mora


=)




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7.1.10

pra lembrar






'e até me divirto e descubro a gota de mel
no meio do fel.
Colei aquele "Eu amo você" no espelho.
É pra mim mesmo".'




[Caio F]
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6.1.10

viver é para sempre




'Conta-se que Buda em uma de suas peregrinações pela cidade da Ìndia fora recebido em uma delas com muitas ofensas por parte de uma mulher que não se cansava de em altos brados dirigir-lhe xingatórios. Impertubável o iluminado respondeu:
- Minha irmã, você está me oferecendo um presente que é seu, fique com ele que eu não quero aceitá-lo

[Paulino Garcia]
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5.1.10

'confio em Deus'






'há em mim uma paz enorme
que eu chamo de felicidade.'

[caio f.]
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faz favor



*

4.1.10

das delicadezas






'Minha palavra é vítima de minha inteligência.

Quero dizer, mas não alcanço com minha palavra
o que diz meu pensamento.'



[Pe. Fábio de Melo]
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3.1.10

e começa assim





Escancara a janela pra lua de vigia
Tem vento bom na noite, nos dias
A porta está aberta
A casa é sua, pode morar
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2.1.10

de ser




'Somos como barcas deslizando pelo tempo,
e nesse tempo há que tecer a trama da vida
com fios de amor e sonho,
para que a viagem seja leve,
para que a viagem seja bela.'


[Roseana Murray]
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